Quis ser homem,
De levantar montes,
Cercar os céus
E das pedras fazer fontes.
Quis ser monte,
De ser mais que homem,
De tocar os céus
E fazer das fontes viagem.
Quis ser os céus,
Pra do alto ver os montes,
Inspirar o homem
E dar destino às fontes.
Quis ser fonte,
De ir mais além que o monte,
Ser caminho para o homem
E ver o que o céu não vê e o fundo esconde.
Mas não sou fonte, nem céu, nem monte.
Sou homem, sim,
Não pelo que nasce da fonte,
Mas por tudo o que brota de mim!
escrevo logo existo
Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
Sexta-feira, 23 de Março de 2012
Miragem
Foi assim. Qual oásis no deserto, procurei algo que não existe. Eu via tão bem, à minha frente! Uma fonte tão pura que secou de repente. Caminhei, primeiro a passo, apressado, a correr! Mas era só mais um monte de areia que tinha de percorrer. Tanto tempo a navegar em busca daquela praia! Para vir ancorar numa planície de areia que teima em não ter fim. Agora percebo, o mar acaba na areia e a areia vem dar ao mar. A cada dia me vou apercebendo que o meu barco, afinal, não tem velas, não tem remos, nem leme! Que o leme são os meus braços, e a corrente que me leve. E depois, procurando um abrigo, acabo perdido, seguindo as pegadas que cá deixei da última vez. Mas sigo-as, conheço onde vão dar, já aqui estive e aqui hei-de voltar. E sorrio, ouvindo o mar aqui tão perto, sabendo na partida que o meu destino é um deserto.
Sábado, 28 de Janeiro de 2012
Amor e Liberdade
Que guardo eu dentro de mim?
Que suspiro enclausurado desejoso de saír?
Que lembrança entristecida do que ainda está para vir?
Que aguardo eu fora de mim?
Por que vivo, por que espero?
Por que doce mar?
Que alimento tão severo?
Porque corro, sem saber se vou chegar?
Que a única certeza da vida
É o que fiz e vou lembrar?
Porque o luar traz nova noite
E o sol traz novo dia.
Porque eu hoje me encontro
Onde ontem me perdia.
Porque estás, porque te vejo.
Porque acordo, como adormeço,
Ansiando por um beijo.
Oh, que doce olhar
Que apazigua,
Até o mar mais revoltado,
Até a mais profunda amargura.
Oh, o dar as mãos
Sentir-te perto,
Que aquece o coração
E faz do mundo inteiro deserto!
Oh, que saudade, que amor!
Porque amar é sentir saudade
E a saudade só existe
Quando se ama de verdade.
Porque o que eu guardo dentro de mim
É amor e é saudade.
É esperança e é dor.
É um servo em liberdade.
Porque sou servo do amor,
Mas amar é ser-se livre.
Porque se morre por amor,
Mas só a amar é que se vive.
Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011
Inverno
Como quem
nasce para a vida, acordei eu num mundo novo. Primaveras já tinha vivido, mas
nunca um inverno tão cerrado. Sentado, no aconchego da lareira, espreitava pela
janela e via a chuva, o vento, uma tempestade que não havia cá dentro. Mas quis
ver melhor lá para fora, e comecei a abrir, devagar. E irrompeu, batendo as
portas, apagando a lareira, entrando a chuva, o vento, o frio, tornando escura
a casa inteira! Que foi isto que aqui entrou, que o aconchego não dura? O que é
que torna a mentira alegre na verdade mais dura? Eu não sei. Sei que o senti, sei
que entrou, que o ouvi. Não sei que foi. Mas não há frio, nem chuva, nem vento,
nem nuvem, que consigam derrotar a vontade qu’alma tem! E sento-me novamente,
de lareira apagada, à minha volta há outra coisa que jamais será derrubada. E
assim vejo uma vez mais, a porta fecha lentamente, atrás de mim está sempre um
cais, nem sempre o vejo à minha frente. Respiro fundo. Fecho os olhos. Quantas
memórias eu já esqueci e quantas não quis guardar. Quantas gotas terão
adormecido no doce embalo das ondas do mar. A vida não é uma sucessão de coisas
sonhadas, são alegras e tristezas, todas elas inesperadas. Dos que ancoraram no
meu coração, quantos não foram com o mar, tanto tempo perdi olhando o
horizonte, quando nem tinha de navegar. A maré, por mais que se tente, não se
consegue contrariar. Há que encarar a noite com a certeza de um luar. Viver o
que é, não o que foi e era, porque depois de um inverno, vem sempre uma
primavera.
Sexta-feira, 15 de Julho de 2011
Demissão
Minha alma, eu demito-me!
E admito que não fui capaz de suportar
Os tempos e lugares que tu quiseste,
Os mares que me fizeste navegar.
De que vale amar intensamente
Se é mais intensa a dor,
E se os sonhos leva o vento
Que cantavam de amor.
Eis que o sonho em mim nascido
Levou a um mar que não tem fim.
Águas de sofrimento
Lembrando sempre por que vim.
Tudo vejo e desconfio
“Será real, será miragem?”
Real será o que eu senti
Pois sonhada foi esta viagem.
E em versos que sussurraste
Escrevi o que fui sentindo,
Memórias de um sonho,
De um futuro que era lindo.
Treme agora a minha voz
Uma lágrima cai, sorri.
Triste é a dor que apaga,
Feliz foi o que eu senti.
É chegado então o tempo
De deixar de ser quem sou.
A esperança inconformada
Mas que sinto que acabou.
Procuro um lugar que não conheça
Um caminho a percorrer.
Sentido para o sonho
Maneiras de não sofrer.
Se um dia aqui voltar
Por esse olhar que não é meu,
Não será intensa dor
Não será alma, serei eu.
Mas hoje parto e me despeço
Por ti quebrei meu coração.
Chega de sonhos que não conheço,
Eis a minha demissão.
Sexta-feira, 8 de Julho de 2011
Esperança
Que seria dos grandes
Se desistissem à primeira?
Seriam donos do sonho
Ou servos da cegueira?
Sem esforço
Não há fama nem glória,
Não há chama nem história.
O que existe e nos impede
Se esfuma com perseverança
E a chama só se alimenta
Se mantiver viva a esperança.
Se desistissem à primeira?
Seriam donos do sonho
Ou servos da cegueira?
Sem esforço
Não há fama nem glória,
Não há chama nem história.
O que existe e nos impede
Se esfuma com perseverança
E a chama só se alimenta
Se mantiver viva a esperança.
Defeat
How come in a single day
Do I think more words
Than those I can say?
How come in a single night
Do I lose more battles
Than those I can fight?
It’s the story of my life
Not the story of a knight.
Not the feelings that I have
Only those that I can write.
And if poetry loves beyond
Must these words be written down,
Then my hand will be my sword,
What I write shall be my crown.
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