Foi assim. Qual oásis no deserto, procurei algo que não existe. Eu via tão bem, à minha frente! Uma fonte tão pura que secou de repente. Caminhei, primeiro a passo, apressado, a correr! Mas era só mais um monte de areia que tinha de percorrer. Tanto tempo a navegar em busca daquela praia! Para vir ancorar numa planície de areia que teima em não ter fim. Agora percebo, o mar acaba na areia e a areia vem dar ao mar. A cada dia me vou apercebendo que o meu barco, afinal, não tem velas, não tem remos, nem leme! Que o leme são os meus braços, e a corrente que me leve. E depois, procurando um abrigo, acabo perdido, seguindo as pegadas que cá deixei da última vez. Mas sigo-as, conheço onde vão dar, já aqui estive e aqui hei-de voltar. E sorrio, ouvindo o mar aqui tão perto, sabendo na partida que o meu destino é um deserto.