quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Sonho


Gosto de estar assim. Deitado, descansando sob a sombra de uma árvore ou mergulhado no escuro do quarto. De olhos abertos imagino, com eles fechados adormeço e sonho. De qualquer das formas o resultado é sempre o mesmo, abstraio-me da realidade e vivo momentaneamente num mundo único em que tudo corre como eu quero.

Começo, geralmente, por relembrar situações passadas, imaginando as diferentes soluções que poderiam ter tido. Obviamente que é bem mais fácil faze-lo agora, após tudo ter acontecido. Depois penso que é inútil preocupar-me, pois por mais que às vezes me apeteça, não posso voltar atrás no tempo. É então que sonho com ideias que adorava ver realizadas. Sonhos recheados de felicidade, em que não há outro modo de estar sem ser sorrindo; onde não se imaginam utopias, vivem-se; em que basta querer para se alcançar; e onde para acontecer não é preciso mais do que pensar. Sinto-me bem aqui. Respira-se amor como se do próprio ar se tratasse; não há desilusões, há sentimentos bem despertos e alegres; tristeza é uma palavra nunca se quer mencionada.

Gostava de poder ficar aqui, mas a realidade chama e é bem mais dura. Impaciente e apressada, não me dá muito tempo para pensar no que fazer, ensina-me que por vezes tenho de agir para depois me arrepender. Lembra-me que não posso querer, simplesmente desejar; que na realidade eu não sonho, vivo. É verdade que é ele que comanda a vida, mas a vida não é feita de sonhos.

Na realidade, os meus desejos não dependem só de mim para poderem ser verdade. E o que eu desejava agora depende ainda menos. Assim, vou aproveitando estes momentos para imaginar e sonhar, porque sei que mais tarde ou mais cedo, vou ter sempre de acordar.


domingo, 15 de novembro de 2009

Amigos


Estava a precisar de um dia assim. Um dia em que, na melhor das companhias, esqueci, duma vez por todas, o que me andava a assombrar há tanto tempo, a limitar a minha vontade e determinação, a pôr em causa todo um sonho que imagino realizar. Foi-se. E com ele foi também um peso, que sinto agora tão aliviado.

Agradeço e dou inteiro mérito à companhia, sem a qual nada disto teria sido possível. Não foi preciso muito, nem nada de complicado. Nunca é. É curioso como são as coisas mais simples que têm os efeitos mais poderosos. Uma palavra bastou para não pensar em mais nada se não na beleza que o mais pequeno pormenor revela se o contemplarmos com outro olhar. Mas menos que a palavra, foi o simples sorriso, que, sem saber, me trouxe de novo à realidade que há tanto tempo procurava.

Era de um dia assim que eu andava a precisar. Uma tarde bem passada, uma noite que acabou em alvorada. Em qualquer das situações a protagonista foi sempre a mesma: a companhia. Teve e tem sempre papel fundamental. É algo de que nos devemos sempre lembrar. Recordei com isto uma lição que espero nunca mais esquecer: o mundo à nossa volta pode estar a desabar, os problemas parecerem não ter solução, podemos até pensar que nada vai voltar a ser o que era e que a felicidade se escondeu para nunca mais regressar. A resposta está sempre ao nosso lado, nos amigos. São eles que estão sempre prontos para acorrer aos nossos pedidos, dar o conselho que estávamos mesmo a precisar, ou então apoiar-nos com o seu silêncio e um abraço. É simples, mas muitas vezes não o procuramos ou não o queremos, maior erro que podemos cometer.

É bom, por isso, que nunca nos esqueçamos. Por pior que a vida nos esteja a parecer, está lá sempre um ombro amigo para nos apoiar e ajudar a começar de novo.

Obrigado


(já agora também ao sr. Sinatra, cuja música inspiradora, foi também uma preciosa ajuda)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Faltam-me as palavras

Sento-me. Sinto vontade de escrever. Pego num lápis, numa folha de papel. Estou com a mão preparada, penso, mas infelizmente não me sai nada. É frustrante. Tenho tanto para dizer, tanta vontade de contar, tanto aperto cá dentro ansioso por desabafar. E, no entanto, o muito que quero exprimir contrasta com o pouco que consigo soletrar.

Não é a primeira vez que algo assim me acontece. Geralmente, quero dizer tanto e ao mesmo tempo que acabo por não o fazer de todo, deixo somente escapar uns versos, frases soltas que perante o olhar alheio seriam inúteis e insignificantes, mas que aos meus olhos são a transcrição exacta do que estou a sentir: uma confusão de ideias e aspirações que, aparentemente, não me levam a parte alguma.

Mas hoje é diferente. Não há versos, não há frases, não há sequer letras para tentar enlaçar. Existem, unicamente, pensamentos que por alguma razão insistem em permanecer e crescer no tumulto que se apoderou de mim sem pedir autorização.

Não escrevo, mas penso. E no meio da desordem consigo ainda ver umas imagens nítidas, memórias, umas frescas, outras inesquecíveis, momentos que me fazem sorrir por uns segundos. Contudo, não são esses os que me confundem, os que me fazem duvidar, que me tornam hesitante. Não. Há outros. Relatam esperanças infundadas, aspirações que não passaram de enganos, actos que resultaram em simples inconsequências.

São estes os responsáveis por esta incapacidade que me surge de quando em vez. Aparecem em qualquer altura, sem aviso de recepção, e é pelo facto de serem inevitáveis que não deviam merecer atenção. Mas eles insistem, e eu, dedico-lhes por vezes uns versos, frases soltas, só para lhes fazer a vontade.

Mas hoje não. Decidi negar-lhes a atenção. Hoje não terão audiência nem companhia. Não vou escrever, evitarei ao máximo se quer pensar. Abro a janela, quero olhar para o Universo, para o vazio. Há no entanto umas luzes intermitentes, devem ser eles ainda a tentar convencer-me. Fecho a janela. Deito-me. Sinto vontade de fugir mas não quero sair daqui. Pego no lençol, apago a luz. Estou preparado para dormir e já não penso em nada. Adormeço, ao menos aqui, não me poderão incomodar.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

És


És a última folha da árvore

Que ainda não caiu,

E o suspiro cá dentro

Que ainda não saiu.


És a onda,

És o respirar.

És a primeira e a última coisa

Em que eu vou pensar.


És o dedilhado da guitarra,

O soar do piano.

És quem consegue agradar

Ao grego e ao troiano.


És o sol ao fim da tarde

E o sol de manhã.

Por quem se aproveita o dia

Como se não houvesse amanhã.


És o cheiro a maresia

Que quando fecho os olhos me inspira,

És a música do mar,

És a verdade e a mentira.


És o escuro da noite

E a luz do dia.

És lua nova, lua cheia

E o sol que brilha.


És o fogo da lareira

Junto ao qual eu me aqueço.

És a tristeza, a alegria

A felicidade que não tem preço.


És o pássaro na mão

E os dois a voar.

És o auge da inspiração,

A força de acreditar.


És o futuro, o passado

E o presente ao mesmo tempo.

És todas as sensações

Unidas num só momento.


És o belo sorriso

Que me faz alegrar,

És por quem eu na neblina

Vou eternamente esperar.


És o barco à deriva,

Marinheiro no mar.

És o oásis no deserto,

Que eu vou encontrar.


És o ar que respiro,

A flor do jardim.

És a beleza invisível

Mas que olha para mim.


Novembro de 2008

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

All I need is a smile

All I need is a smile.

When you stop and do it for a while,

Time doesn’t pass for me just for the others

Time is different for lovers.

I stay so happy that I can’t see

Anything that goes around me.

It’s the smile which you do

That let’s me know that I love you.


Your love, your kiss, your smile, they are important

Besides those, everything is insignificant.

When you smile me my heart doesn’t know what’s right or wrong

And all I want is turn my feelings into a song

Because it’s singing that I say

That our love will be together all the way.


What I feel for you is so strong but maybe you don’t know

That’s why I’m writing so I can show.

When you smile me, everything which is bad disappears

Everything is good; I just have hope, not fears.

You are so beautiful, more than the colours of the sky at the sunset

And when I watch it next to you, all the things…I just forget.


Everything that I do

Is to show that I love you.


Março 2008

Momento

Há momentos assim. Momentos em que, apesar de estar sentado rodeado se não por meros objectos, imóveis no silêncio que preenche todo o quarto, me sinto envolto numa enorme tempestade, assolado por um turbilhão de pensamentos que trovejam, violentamente, e não me deixam descansar, atormentado por relâmpagos de ilusões que me tentam a viver em sonhos que não são meus e confundido por memórias que o vento me atira e obriga a recordar. Momentos em que fecho os olhos e só desejo poder abri-los de novo num lugar bem longe de todos os tormentos e onde possa suspirar. Mas assim que os abro e espreito, noto que a minha vontade não foi feita e sou forçado a enfrentar o rugir, do mar que me afoga no meu próprio mundo.

Num momento como este, tudo me parece certo, e errado. Sinto-me feliz, mas ao mesmo tempo desterrado. Amo, e abomino. Contemplo, enquanto repudio. Lembro, e tento esquecer. E vou procurando, pelo meio, a alegria de viver.

É então que pego numa folha de papel e escrevo. E, por um momento, afasto o que me rodeia e fico a sós com a minha alma que, imperturbada, me dita o que preciso de escrever. Expira tudo o que não quer guardar e lembra-me tudo o que é bom de recordar.

Agora, os trovões já não se ouvem, o vento já não se sente, as ilusões, já não as vejo. Ouço apenas o som do mar, acabando numa praia em que me imagino a descansar.

Estou de volta ao meu quarto, donde não cheguei a sair. E os objectos parecem-me sorrir, como que desfrutando também do perfume a felicidade que agora respiro. E no silêncio ouço uma canção, onde é cantado o doce aroma da liberdade.