Sentado na cadeira de pano admirava aquela imensidão de azul, aquele mar que reluzia tranquilamente e embalava na suavidade do seu respirar. A brisa calma surgiu levantando os seus cabelos, e ele fechou os olhos para sentir melhor a música da Natureza.
-Que vai desejar? – perguntou o empregado que entretanto se aproximara.
Abriu-os de novo e, olhando o horizonte à sua frente, pediu um Porto. Lembrava agora os últimos dias, meses, anos; As emoções que tinha sentido, os momentos por que havia passado, os erros que tinha cometido. Recordava a tristeza e a felicidade; a alegria e o remorso; a mentira e a verdade; o amor e a amizade. Saboreando aquele vinho doce, sentiu o peso duma vida mas a leveza dum futuro.
Estava alto ainda o sol quando quase sofregamente acabou de beber aquele copo e, respirando fundo, pediu bem alto:
-Mais um, por favor!
