Como quem
nasce para a vida, acordei eu num mundo novo. Primaveras já tinha vivido, mas
nunca um inverno tão cerrado. Sentado, no aconchego da lareira, espreitava pela
janela e via a chuva, o vento, uma tempestade que não havia cá dentro. Mas quis
ver melhor lá para fora, e comecei a abrir, devagar. E irrompeu, batendo as
portas, apagando a lareira, entrando a chuva, o vento, o frio, tornando escura
a casa inteira! Que foi isto que aqui entrou, que o aconchego não dura? O que é
que torna a mentira alegre na verdade mais dura? Eu não sei. Sei que o senti, sei
que entrou, que o ouvi. Não sei que foi. Mas não há frio, nem chuva, nem vento,
nem nuvem, que consigam derrotar a vontade qu’alma tem! E sento-me novamente,
de lareira apagada, à minha volta há outra coisa que jamais será derrubada. E
assim vejo uma vez mais, a porta fecha lentamente, atrás de mim está sempre um
cais, nem sempre o vejo à minha frente. Respiro fundo. Fecho os olhos. Quantas
memórias eu já esqueci e quantas não quis guardar. Quantas gotas terão
adormecido no doce embalo das ondas do mar. A vida não é uma sucessão de coisas
sonhadas, são alegras e tristezas, todas elas inesperadas. Dos que ancoraram no
meu coração, quantos não foram com o mar, tanto tempo perdi olhando o
horizonte, quando nem tinha de navegar. A maré, por mais que se tente, não se
consegue contrariar. Há que encarar a noite com a certeza de um luar. Viver o
que é, não o que foi e era, porque depois de um inverno, vem sempre uma
primavera.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Demissão
Minha alma, eu demito-me!
E admito que não fui capaz de suportar
Os tempos e lugares que tu quiseste,
Os mares que me fizeste navegar.
De que vale amar intensamente
Se é mais intensa a dor,
E se os sonhos leva o vento
Que cantavam de amor.
Eis que o sonho em mim nascido
Levou a um mar que não tem fim.
Águas de sofrimento
Lembrando sempre por que vim.
Tudo vejo e desconfio
“Será real, será miragem?”
Real será o que eu senti
Pois sonhada foi esta viagem.
E em versos que sussurraste
Escrevi o que fui sentindo,
Memórias de um sonho,
De um futuro que era lindo.
Treme agora a minha voz
Uma lágrima cai, sorri.
Triste é a dor que apaga,
Feliz foi o que eu senti.
É chegado então o tempo
De deixar de ser quem sou.
A esperança inconformada
Mas que sinto que acabou.
Procuro um lugar que não conheça
Um caminho a percorrer.
Sentido para o sonho
Maneiras de não sofrer.
Se um dia aqui voltar
Por esse olhar que não é meu,
Não será intensa dor
Não será alma, serei eu.
Mas hoje parto e me despeço
Por ti quebrei meu coração.
Chega de sonhos que não conheço,
Eis a minha demissão.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Esperança
Que seria dos grandes
Se desistissem à primeira?
Seriam donos do sonho
Ou servos da cegueira?
Sem esforço
Não há fama nem glória,
Não há chama nem história.
O que existe e nos impede
Se esfuma com perseverança
E a chama só se alimenta
Se mantiver viva a esperança.
Se desistissem à primeira?
Seriam donos do sonho
Ou servos da cegueira?
Sem esforço
Não há fama nem glória,
Não há chama nem história.
O que existe e nos impede
Se esfuma com perseverança
E a chama só se alimenta
Se mantiver viva a esperança.
Defeat
How come in a single day
Do I think more words
Than those I can say?
How come in a single night
Do I lose more battles
Than those I can fight?
It’s the story of my life
Not the story of a knight.
Not the feelings that I have
Only those that I can write.
And if poetry loves beyond
Must these words be written down,
Then my hand will be my sword,
What I write shall be my crown.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Porto
Se tudo à volta se acerca
Porquê a sensação de abandonado?
Razão de um coração uno
Se sentir quebrado?
Porque é que as luzes que me vão iluminando
Deixam que a chama desta alma se vá apagando?
Porque é que o sono, outrora sonho,
Se fez ilusão de um homem que, sonhando,
Não queria mais que ser ele,
Mais que o mar para onde as ondas o iam levando?
Em plenas tormentas procuro a bonança,
Em alto mar mantenho a esperança.
Sentado no convés me abrigo desse frio,
Mas a minha alma só aquece na proa do navio.
Só aqui te avisto, porto sonhado!
Qual pomba que chega do amor encontrado.
Terra à vista, em ti sonho ancorar.
Icem as velas, vamos para onde nos leva o mar!
Porquê a sensação de abandonado?
Razão de um coração uno
Se sentir quebrado?
Porque é que as luzes que me vão iluminando
Deixam que a chama desta alma se vá apagando?
Porque é que o sono, outrora sonho,
Se fez ilusão de um homem que, sonhando,
Não queria mais que ser ele,
Mais que o mar para onde as ondas o iam levando?
Em plenas tormentas procuro a bonança,
Em alto mar mantenho a esperança.
Sentado no convés me abrigo desse frio,
Mas a minha alma só aquece na proa do navio.
Só aqui te avisto, porto sonhado!
Qual pomba que chega do amor encontrado.
Terra à vista, em ti sonho ancorar.
Icem as velas, vamos para onde nos leva o mar!
terça-feira, 14 de junho de 2011
Luar
Luar,
Carregado de uma atmosfera mística,
De um amor exacerbado,
De uma loucura apaixonada,
De uma poesia encantada.
Luar!
Luar, tu chamas-me,
Chamas-me nesse cantar de lua cheia,
Nessa luminosidade que premeia
Este sonhador cuja alma se incendeia
Porque o romantismo lhe corre pela veia.
Luar,
Essa tua magia que faz belo o que o não é,
Que mostra o que há por dentro e não se vê,
Que faz da flor uma obra-prima
E do sonhar uma arte que sublima.
Que reduz a minha vida a uma efémera pequenez,
Que faz das perguntas alegre viuvez.
Luar,
Esse teu momento eterno,
Esse teu luar, ameno e terno.
Luar,
Deixa-me olhar-te uma última vez,
Inspira-me,
Dá-me um pouco dessa luz que amanhece em mim
Uma loucura sonhadora
Mas que, como a noite, tem um fim.
Carregado de uma atmosfera mística,
De um amor exacerbado,
De uma loucura apaixonada,
De uma poesia encantada.
Luar!
Luar, tu chamas-me,
Chamas-me nesse cantar de lua cheia,
Nessa luminosidade que premeia
Este sonhador cuja alma se incendeia
Porque o romantismo lhe corre pela veia.
Luar,
Essa tua magia que faz belo o que o não é,
Que mostra o que há por dentro e não se vê,
Que faz da flor uma obra-prima
E do sonhar uma arte que sublima.
Que reduz a minha vida a uma efémera pequenez,
Que faz das perguntas alegre viuvez.
Luar,
Esse teu momento eterno,
Esse teu luar, ameno e terno.
Luar,
Deixa-me olhar-te uma última vez,
Inspira-me,
Dá-me um pouco dessa luz que amanhece em mim
Uma loucura sonhadora
Mas que, como a noite, tem um fim.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Escrevo
É nestas alturas que eu escrevo. Quando o dia perde a luz e a noite o luar. Quando lá fora sufoco e preciso de respirar. Quando me quero ir embora, mas espero uma voz que me peça para regressar. Escrevo. E palavra a palavra, ergo um muro, que aos poucos me vai isolando, deixando só, nessa alegre solidão que é o acto de escrever. Para mim escrever é sonhar em papel. E enquanto escrevo sou feliz porque estou a sonhar outra vez. Depois procuro uma melodia, para melhor sentir o que parece que estou a ver e ouvir. Mas de cada vez que escrevo uma canção, solta-se um pedaço do meu coração.
Fico num lugar diferente. Um lugar onde vivo sonhando e respirando calma. Onde recupero a esperança e onde o sonho, por maior que seja, nunca é mais que uma criança. Olho para cima e vejo estrelas. Dizem que estão tão longe, mas a mim parecem-me tão perto. Demasiado perto, criando em mim a ilusão de que as posso tocar se assim quiser e tentar. Esqueço-me muitas vezes que por mais alto que eu suba, há coisas a que não consigo chegar. Que não dependem de quanto eu possa subir, mas sim da sua vontade para descer e se deixar alcançar.
Será sonhar alto tão mau como não sonhar?
terça-feira, 3 de maio de 2011
A flor
Um destes dias abri uma porta. E a luz percorreu o quarto, antes tão escuro e agora tão alegre e vivo. Descobri que há mais sonhos para além dos sonhos, há mar depois do mar. Percebi que o quarto, mesmo no escuro, tem estrelas e luar. Senti o perfume, ouvi um respirar, vi uma flor que quis apanhar. Mas a esperança que me levava a sair, embateu na realidade que me fez cair. Tinha um mundo à minha frente, sem o poder viver. É como ter o bilhete para a felicidade, mas não poder apanhar o comboio. É ter o mar como destino, mas não ter barco para navegar. É ver terra no horizonte, mas não ter como remar. É ter a guitarra nas mãos, sem a poder tocar.
A porta ficou aberta. Sinto o perfume, vejo a flor. E sempre que me levanto, tento pôr um pé nesse mundo, nesse mundo que me chama sem saber, nesse mundo em que eu sonho poder viver. Já caí e vou cair mais vezes, mas espero que a força que vier de tanto cair, me faça apanhar a flor e sair.
quarta-feira, 9 de março de 2011
Mar d'Alma
Ando por todo o lado
Mas não pertenço a lado nenhum.
Não sou servo do meu passado
Ou refém de futuro algum.
Procuro neste mar d’alma
Os sonhos que já perdi.
Não sei ter porto nem calma
Se não te tiver a ti.
E navego na tempestade,
Não sabendo se tem verdade
Tudo o que eu pensei e fiz.
E só assim, sonhando, encontrarei,
Não aquilo que eu sonho e sei
Mas o que há contigo pra ser feliz.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Mais forte que o coração
Que não lamenta nem se encanta,
É aquele que, sem se ouvir,
Cai e se levanta.
Mais perto de mim está o céu que me ilumina
Do que o horizonte com que sonho todo o dia.
Melhor vejo o espinho debaixo da rosa
Do que a alma da ave que nela pousa.
E se hoje vejo bem
Todas as estrelas do meu céu,
É porque sonhando não fui além
Do que alma teimosa pediu e mereceu.
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