
Gosto de estar assim. Deitado, descansando sob a sombra de uma árvore ou mergulhado no escuro do quarto. De olhos abertos imagino, com eles fechados adormeço e sonho. De qualquer das formas o resultado é sempre o mesmo, abstraio-me da realidade e vivo momentaneamente num mundo único em que tudo corre como eu quero.
Começo, geralmente, por relembrar situações passadas, imaginando as diferentes soluções que poderiam ter tido. Obviamente que é bem mais fácil faze-lo agora, após tudo ter acontecido. Depois penso que é inútil preocupar-me, pois por mais que às vezes me apeteça, não posso voltar atrás no tempo. É então que sonho com ideias que adorava ver realizadas. Sonhos recheados de felicidade, em que não há outro modo de estar sem ser sorrindo; onde não se imaginam utopias, vivem-se; em que basta querer para se alcançar; e onde para acontecer não é preciso mais do que pensar. Sinto-me bem aqui. Respira-se amor como se do próprio ar se tratasse; não há desilusões, há sentimentos bem despertos e alegres; tristeza é uma palavra nunca se quer mencionada.
Gostava de poder ficar aqui, mas a realidade chama e é bem mais dura. Impaciente e apressada, não me dá muito tempo para pensar no que fazer, ensina-me que por vezes tenho de agir para depois me arrepender. Lembra-me que não posso querer, simplesmente desejar; que na realidade eu não sonho, vivo. É verdade que é ele que comanda a vida, mas a vida não é feita de sonhos.
Na realidade, os meus desejos não dependem só de mim para poderem ser verdade. E o que eu desejava agora depende ainda menos. Assim, vou aproveitando estes momentos para imaginar e sonhar, porque sei que mais tarde ou mais cedo, vou ter sempre de acordar.