terça-feira, 22 de setembro de 2009

És


És a última folha da árvore

Que ainda não caiu,

E o suspiro cá dentro

Que ainda não saiu.


És a onda,

És o respirar.

És a primeira e a última coisa

Em que eu vou pensar.


És o dedilhado da guitarra,

O soar do piano.

És quem consegue agradar

Ao grego e ao troiano.


És o sol ao fim da tarde

E o sol de manhã.

Por quem se aproveita o dia

Como se não houvesse amanhã.


És o cheiro a maresia

Que quando fecho os olhos me inspira,

És a música do mar,

És a verdade e a mentira.


És o escuro da noite

E a luz do dia.

És lua nova, lua cheia

E o sol que brilha.


És o fogo da lareira

Junto ao qual eu me aqueço.

És a tristeza, a alegria

A felicidade que não tem preço.


És o pássaro na mão

E os dois a voar.

És o auge da inspiração,

A força de acreditar.


És o futuro, o passado

E o presente ao mesmo tempo.

És todas as sensações

Unidas num só momento.


És o belo sorriso

Que me faz alegrar,

És por quem eu na neblina

Vou eternamente esperar.


És o barco à deriva,

Marinheiro no mar.

És o oásis no deserto,

Que eu vou encontrar.


És o ar que respiro,

A flor do jardim.

És a beleza invisível

Mas que olha para mim.


Novembro de 2008

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

All I need is a smile

All I need is a smile.

When you stop and do it for a while,

Time doesn’t pass for me just for the others

Time is different for lovers.

I stay so happy that I can’t see

Anything that goes around me.

It’s the smile which you do

That let’s me know that I love you.


Your love, your kiss, your smile, they are important

Besides those, everything is insignificant.

When you smile me my heart doesn’t know what’s right or wrong

And all I want is turn my feelings into a song

Because it’s singing that I say

That our love will be together all the way.


What I feel for you is so strong but maybe you don’t know

That’s why I’m writing so I can show.

When you smile me, everything which is bad disappears

Everything is good; I just have hope, not fears.

You are so beautiful, more than the colours of the sky at the sunset

And when I watch it next to you, all the things…I just forget.


Everything that I do

Is to show that I love you.


Março 2008

Momento

Há momentos assim. Momentos em que, apesar de estar sentado rodeado se não por meros objectos, imóveis no silêncio que preenche todo o quarto, me sinto envolto numa enorme tempestade, assolado por um turbilhão de pensamentos que trovejam, violentamente, e não me deixam descansar, atormentado por relâmpagos de ilusões que me tentam a viver em sonhos que não são meus e confundido por memórias que o vento me atira e obriga a recordar. Momentos em que fecho os olhos e só desejo poder abri-los de novo num lugar bem longe de todos os tormentos e onde possa suspirar. Mas assim que os abro e espreito, noto que a minha vontade não foi feita e sou forçado a enfrentar o rugir, do mar que me afoga no meu próprio mundo.

Num momento como este, tudo me parece certo, e errado. Sinto-me feliz, mas ao mesmo tempo desterrado. Amo, e abomino. Contemplo, enquanto repudio. Lembro, e tento esquecer. E vou procurando, pelo meio, a alegria de viver.

É então que pego numa folha de papel e escrevo. E, por um momento, afasto o que me rodeia e fico a sós com a minha alma que, imperturbada, me dita o que preciso de escrever. Expira tudo o que não quer guardar e lembra-me tudo o que é bom de recordar.

Agora, os trovões já não se ouvem, o vento já não se sente, as ilusões, já não as vejo. Ouço apenas o som do mar, acabando numa praia em que me imagino a descansar.

Estou de volta ao meu quarto, donde não cheguei a sair. E os objectos parecem-me sorrir, como que desfrutando também do perfume a felicidade que agora respiro. E no silêncio ouço uma canção, onde é cantado o doce aroma da liberdade.