sexta-feira, 15 de julho de 2011

Demissão

Minha alma, eu demito-me!
E admito que não fui capaz de suportar
Os tempos e lugares que tu quiseste,
Os mares que me fizeste navegar.

De que vale amar intensamente
Se é mais intensa a dor,
E se os sonhos leva o vento
Que cantavam de amor.

Eis que o sonho em mim nascido
Levou a um mar que não tem fim.
Águas de sofrimento
Lembrando sempre por que vim.

Tudo vejo e desconfio
“Será real, será miragem?”
Real será o que eu senti
Pois sonhada foi esta viagem.

E em versos que sussurraste
Escrevi o que fui sentindo,
Memórias de um sonho,
De um futuro que era lindo.

Treme agora a minha voz
Uma lágrima cai, sorri.
Triste é a dor que apaga,
Feliz foi o que eu senti.

É chegado então o tempo
De deixar de ser quem sou.
A esperança inconformada
Mas que sinto que acabou.

Procuro um lugar que não conheça
Um caminho a percorrer.
Sentido para o sonho
Maneiras de não sofrer.

Se um dia aqui voltar
Por esse olhar que não é meu,
Não será intensa dor
Não será alma, serei eu.

Mas hoje parto e me despeço
Por ti quebrei meu coração.
Chega de sonhos que não conheço,
Eis a minha demissão.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Esperança

Que seria dos grandes
Se desistissem à primeira?
Seriam donos do sonho
Ou servos da cegueira?

Sem esforço
Não há fama nem glória,
Não há chama nem história.

O que existe e nos impede
Se esfuma com perseverança
E a chama só se alimenta
Se mantiver viva a esperança.

Defeat

How come in a single day
Do I think more words
Than those I can say?

How come in a single night
Do I lose more battles
Than those I can fight?

It’s the story of my life
Not the story of a knight.
Not the feelings that I have
Only those that I can write.

And if poetry loves beyond
Must these words be written down,
Then my hand will be my sword,
What I write shall be my crown.



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Porto

Se tudo à volta se acerca
Porquê a sensação de abandonado?
Razão de um coração uno
Se sentir quebrado?
Porque é que as luzes que me vão iluminando
Deixam que a chama desta alma se vá apagando?
Porque é que o sono, outrora sonho,
Se fez ilusão de um homem que, sonhando,
Não queria mais que ser ele,
Mais que o mar para onde as ondas o iam levando?

Em plenas tormentas procuro a bonança,
Em alto mar mantenho a esperança.
Sentado no convés me abrigo desse frio,
Mas a minha alma só aquece na proa do navio.
Só aqui te avisto, porto sonhado!
Qual pomba que chega do amor encontrado.
Terra à vista, em ti sonho ancorar.
Icem as velas, vamos para onde nos leva o mar!