
Curiosa a maneira como vejo a vela neste momento. E as semelhanças que encontro com aquilo a que chamamos de amizade, de ajuda, de amor. Deixou de ser uma vela para ser um amigo que está aqui ao meu lado; não me julga, não me pergunta, não sabe mas ajuda-me, tal como eu o ajudo também. Não era nada senão um pavio seco, sem vida, sem emoção, até eu lhe dar o alimento que ela precisava, e de repente, iluminou-me, afastou-me da escuridão em que me encontrava, mostrando-me que há um mundo inteiro à minha volta.
E o que somos nós senão velas que foram em tempos pavios secos? Estávamos sós e surgiu alguém que nos deu o que precisávamos: sentimentos; de amizade, de amor, de saudade. Surgiu um amigo. E a partir daí fomos encontrando outros, fomos iluminando e sendo iluminados, fomos ensinando e sendo ensinados, fomos precisando e sendo precisos, fomos amando e sendo amados. Partilhámos esperança, alegria, sonhos e experiências. E juntos, fomos alimentando a chama enorme que vai percorrendo o pavio de cada um e que, até se esgotar finalmente, vai fazendo com que valha a pena, com que seja tão bela a vida que nos foi dada.
