
Chegado a Cabo Verde não precisei de muito tempo para conhecer bem o sítio onde estava. Nesse aspecto, a viagem na caixa aberta daquela pick-up foi bastante elucidativa. Chegado ao hotel, de imediato fiquei espantado, boquiaberto com tanta beleza que tinha à minha frente. Era a natureza a mostrar tudo o que em si é belo e perfeito. A areia tão suave e branca, unia-se a um mar único, todo ele azul turquesa e verde, numa harmonia tão boa de se ver e de ouvir.
No entanto tinha para trás uma viagem que apesar de curta me ensinara o que em anos não havia aprendido. Via casas, ou pelo menos algo parecido, tal era a dissemelhança com o que eu sempre me habituei a chamar assim: amontoados de pedras, rodeados por redes incompletas, contentores a fazer de divisões, rodeados por campos que de tão áridos e desertos transmitiam ainda mais a ideia de pobreza. E onde se podia vislumbrar um pouco mais de civilização, crianças, errando, pediam escudos a quem passava.
O tempo que passei a admirar e usufruir do belo e sumptuoso, dediquei também a rever e relembrar aquele mundo, aquelas pessoas para quem o verbo “ter” não passa duma história contada às crianças, alimentando o sonho de um dia o poderem conjugar.
O desejo sôfrego de liberdade deste jovem país resultou no fim da esperança para a sua juventude. Por isso há as duas faces da moeda. Dum lado estão a liberdade e a independência, do outro o desnorte e as consequências. Um país quer-se livre, mas as pessoas também precisam da liberdade, afinal, o que é um país sem a sua gente?
Contudo, de que me vale ser livre para falar, se eu não me souber exprimir? De que me vale ser livre para votar se não souber o que estou a ouvir? De que me vale ser livre para andar, se não tenho para onde ir? De que me vale a mim a liberdade, se eu não posso escolher ou decidir?
Liberdade é uma bela palavra, mas tem de ser muito mais do que isso. Valerá a pena dizer que a temos, se não a pudermos viver?
Ok Meu querido
ResponderEliminarLi, e adorei verificar que para além de olhares tb vês o q. deve ser visto e sentido.
Parabens. Sempre orgulhosa de ti.
Comentar o que se vê e sente, são sementes que se lançam no ar e irão germinar em qq lugar.
Hoje são palavras, no futuro irás actuar tentando melhorar o teu mundo.
Continua a escrever a descobrir e a alargar os horizontes. Um bj carinhoso da MG
Como sempre, a brilhar! :)
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