sexta-feira, 13 de maio de 2011

Escrevo

É nestas alturas que eu escrevo. Quando o dia perde a luz e a noite o luar. Quando lá fora sufoco e preciso de respirar. Quando me quero ir embora, mas espero uma voz que me peça para regressar. Escrevo. E palavra a palavra, ergo um muro, que aos poucos me vai isolando, deixando só, nessa alegre solidão que é o acto de escrever. Para mim escrever é sonhar em papel. E enquanto escrevo sou feliz porque estou a sonhar outra vez. Depois procuro uma melodia, para melhor sentir o que parece que estou a ver e ouvir. Mas de cada vez que escrevo uma canção, solta-se um pedaço do meu coração.
Fico num lugar diferente. Um lugar onde vivo sonhando e respirando calma. Onde recupero a esperança e onde o sonho, por maior que seja, nunca é mais que uma criança. Olho para cima e vejo estrelas. Dizem que estão tão longe, mas a mim parecem-me tão perto. Demasiado perto, criando em mim a ilusão de que as posso tocar se assim quiser e tentar. Esqueço-me muitas vezes que por mais alto que eu suba, há coisas a que não consigo chegar. Que não dependem de quanto eu possa subir, mas sim da sua vontade para descer e se deixar alcançar.          
Será sonhar alto tão mau como não sonhar?

2 comentários:

  1. Comecei a seguir recentemente o teu blog apenas por causa deste texto. Tão simples e ao mesmo tempo tão carregado de sentimento.
    É uma escrita onde beleza e verdade se misturam suavemente e criam um enredo vibrante de emoções.

    (E não, sonhar tão alto não é - definitivamente - tão mau como não sonhar, é incomparavelmente melhor. Caso contrário o teu texto não me teria feito sentir como se tivesse acabado de 'ganhar o dia'). Parabéns!

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  2. Tal como eu me lembrava .. escreves tão bem !
    Parabéns :)

    beijinho
    mariana

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